Uma investigação aumenta as possibilidades de personalizar o tratamento do osteosarcoma infantil
Segundo os resultados de um estudo elaborado por especialistas da Clínica Universidade de Navarra e da Universidade de Navarra, que se publicará proximamente na revista científica especializada "The Journal of Pediatrics". A doutora Marta Zalacain, uma das pesquisadoras, superou um osteosarcoma faz 21 anos e pesquisa agora com a equipe que a tratou.
15/2/2009.
Uma equipe de especialistas da Clínica Universidade de Navarra comprovou a existência de variantes genéticas que apresentam maior resistência a um determinado tratamento e uma maior toxicidade do fármaco em alguns pacientes infantis afetados de osteosarcoma. Deste modo, o trabalho aprofunda nos mecanismos da doença para poder obter no futuro uma personalização terapêutica.
Em concreto, a investigação se centrou na análise dos efeitos secundários devidos à administração de metotrexato em cem destes pacientes. “Elegemos este medicamento porque para tratar o osteosarcoma infantil se administram doses muito elevadas, quantificadas em gramas, o que significa multiplicar por mil as doses de metotrexato que se aplicam em outras doenças oncológicas mais frequentes, como pode ser a leucemia. Umas doses tão altas podem provocar efeitos tóxicos muito importantes, daí a necessidade de conhecer os mecanismos genéticos que intervêm na resistência ao tratamento e na tolerância ao fármaco”, detalha a doutora Ana Patiño, pesquisadora principal do artigo que se publicará na revista científica “The Journal of Pediatrics”, segunda de maior impacto mundial em sua especialidade.
No estudo participaram também o doutor Luis Sierrasesúmaga, diretor do departamento de Pediatria da Clínica Universidade de Navarra e especialista em oncologia pediátrica, como autor sênior; a doutora em Ciências Biológicas, Marta Zalacain (Universidade de Navarra); o doutor Mikel San Julián, especialista em Cirurgia Ortopédica e Traumatologia e a técnico de laboratório, Lucía Marrodán (Universidade de Navarra). Cabe destacar que a doutora Marta Zalacain sofreu aos 11 anos um osteosarcoma, patologia da que foi tratada e curada na Clínica pela equipe do doutor Sierrasesúmaga, grupo com o que esta bióloga e bioquímica atualmente trabalha e pesquisa os mecanismos da doença.
Série importante de pacientes
O trabalho foi elaborado sobre uma série de 100 pacientes, uma das mais longas do mundo dada a escassa incidência da doença, estimada anualmente numa pessoa por cada milhão de habitantes. Para dar uma idéia da importância da série estudada cabe assinalar “que em toda Espanha se diagnosticam uma média anual de 45 pacientes infantis afetados por um osteosarcoma. Por tanto, a centena de pacientes que estudamos supõe uma série muito longa que ademais contribui a excepcionalidad de oferecer acesso a seu material genético, ao material do tumor e a todos os dados clínicos completos dos cem pacientes estudados”, afirma o doutor Sierrasesúmaga.
Um 70% de sobrevivência na Clínica
O prognóstico de sobrevivência dos pacientes pediátricos tratados na Clínica Universidade de Navarra de um osteosarcoma, incluídos os metastásicos, situa-se no 70%, frente ao 60-65% em media de outros centros internacionais de referência no tratamento desta doença oncológica. “Como conseqüência da elevada sobrevivência obtida –adiciona a doutora Patiño- nossa preocupação não só se centra nos pacientes que tratamos, senão também na qualidade de vida daqueles que superam a doença, desse 70%”. Com tal motivo, o objetivo do trabalho de investigação radica em encontrar ferramentas terapêuticas que minimizem os efeitos tóxicos dos tratamentos e maximizem os efeitos terapêuticos.
“Observando as variantes genéticas dos genes implicados no metabolismo do metotrexato comprovamos que algumas destas variantes estão sócias a diferente toxicidade do fármaco e a obter melhores ou piores efeitos terapêuticos”, descreve a especialista. Em concreto, a equipe investigadora estudou as variantes genéticas dos meninos em quem os tumores se apresentavam intrinsecamente resistentes ao medicamento. São aqueles pacientes nos que é necessário administrar doses muito elevadas de metotrexato para obter uma boa resposta.
Para conhecer estes detalhes, os pesquisadores contaram com a estreita colaboração do departamento de Farmacologia da Clínica Universidade de Navarra onde se analisou a cinética do fármaco em sangue em cada um dos pacientes estudados. “Deste modo, comprovamos se o menino eliminava a quantidade de fármaco que restava depois de ter produzido o efeito terapêutico necessário, já que em caso que não o eliminasse, podia provocar-lhe uma toxicidade importante”, adverte a doutora Patiño.
Como resultado da investigação, os especialistas identificaram a variante genética responsável dessa maior toxicidade do metotrexato que afeta a determinados meninos com osteosarcoma. “Ainda que por enquanto, o genótipo não muda ainda o tratamento da doença, o objetivo é ir ampliando de forma paulatina este tipo de estudos genéticos mediante uma análise cujos resultados podem obter-se facilmente, numa hora e meia. Neste sentido, se trataria de localizar novos genes e poder ir ajustando assim as doses dos diferentes fármacos que administramos para conseguir maximizar os resultados terapêuticos e minimizar a toxicidade em cada um dos pacientes tratados”, conclui a pesquisadora.
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